Assolado pelo colapso da FTX o mercado de criptomoedas sofreu no mês de dezembro e o Bitcoin amargou uma queda para US$ 16 mil, nível no qual ficou negociando a maior parte do mês. No entanto, logo no começo de dezembro a maior criptomoeda do mercado recuperou um pouco de seu ímpeto de alta e voltou para US$ 17 mil.

Em busca de saber como o preço do BTC deve se comportar ao longo do mês, o Cointelegraph conversou com 13 especialistas do mercado que compartilharam suas opiniões e previsões para o criptoativo. Confira.

TC Cripto

Paulo Boghosian, co-head de cripto do TC, diz que a primeira coisa é alinhar as expectativas.

“Não enxergamos um mega rali no fim de ano. Todavia, um cenário factível é uma recuperação técnica do mercado, que está sobrevendido, para a região dos 20k. Dificilmente passa dessa regiao. (cenário otimista) Por outro lado, pode cair para a região dos 14k caso venha a tona mais efeitos do contágio ao rombo de FTX. (cenário pessimista). Considerando o alto risco que paira sobre o mercado nesse momento estou neutro-levemente otimista.”

Titanium Asset

Ayron Ferreira, analista chefe da Titanium Asset, afirma que considerando que o cenário macro tem impactado bastante o preço do Bitcoin esse ano, a decisão do FED no dia 14 deve trazer volatilidade ao mercado e ser o principal indicador do mês.

Segundo ele, apesar da fala recente de Jerome Powell, onde ele disse que o ritmo no processo de ajuste monetário pode diminuir, o fato é que ainda não há espaço para corte de juros em um horizonte de curto prazo.

Além disso, ele afirma que os níveis de emprego e atividade nos EUA ainda está bem resilientes, conforme foi possível observar nos recentes dados de emprego e consumo, com o Payroll e o ISM, que vieram acima do esperado agora no início de dezembro. Esses dados demonstram que a recessão ainda não está ocorrendo de forma tão evidente e que os juros provavelmente devem permanecer altos por bastante tempo.

“Os níveis atuais de preço do Bitcoin são de subvalorização, motivada principalmente pela crise de solvência de empresas do setor cripto. Por isso, para dezembro, mês na média histórica positivo para o BTC, há espaço para mais recuperações de preço, dado também os recentes níveis de desalavancagem no setor.

O mercado deverá acompanhar de perto também a situação envolvendo a Genesis e demais empresas do grupo Digital Currency Group, que tiveram exposição a outras empresas que tiveram problemas de liquidez”.

InvestSmart XP

William Lee, head de Cripto da InvestSmart XP, detaca que tivemos uma leve recuperação do Bitcoin a partir do dia 30, com o ativo conseguindo superar a região dos U$ 16,000,00, alcançando atualmente, um preço próximo de U$ 17,200.

Segundo ele, essa movimentação pode ser explicada pelo aumento do otimismo do mercado, após falas de que o FED pretende começar a diminuir a magnitude dos aumentos da taxa de juros do país.

“O Banco Central, este ano, elevou as taxas de juros em 0,75% quatro vezes para controlar a inflação. Espera-se que o FED, em sua reunião no próximo mês, aumente as taxas de juros em 0,5 pontos percentuais.” – Reporta o artigo da Decrypt.

Portanto, segundo aponta o analista, esse movimento é positivo para o mercado de cripto, pois, quando os bancos centrais aumentam as taxas de juros, especialmente como a dos Estados Unidos, mercados de maior risco, como ações de tecnologia e cripto, tendem a se deteriorar, uma vez que os investidores possuem maior aversão a risco, e a rentabilidade de ativos seguros de renda fixa se tornam mais atrativas.

“Todavia, embora tenhamos essa uma leve melhora da percepção do mercado, ainda temos questões pertinentes para ficarmos atentos, que podem impactar de forma negativa o preço do bitcoin:

1) Ainda desconhecemos todas as consequências que decorrem do caso FTX.
2) O cenário macro global ainda é incerto, como a crise de COVID voltando na China e inflação na Europa”

Foxbit

Isac Honorato, embaixador e influenciador da exchange Foxbit afirma que historicamente o mês de dezembro é mais negativo que positivo para o Bitcoin, mas o preço da criptomoeda sempre acaba nos surpreendendo de alguma forma.

“Vale lembrar que no meio de dezembro poderemos ver outro aumento na taxa de juros dos EUA, podendo, sim, impactar na tomada de decisão de fundos e instituições se vale ou não comprar ativos como o Bitcoin. Acho que devemos olhar mais para os fundamentos do BTC, o preço é algo passageiro e muito momentâneo, o potencial do Bitcoin a longo prazo é enorme”

Liqi

Daniel Coquieri, co-fundador da Liqi, afirma que o Bitcoin deve continuar negociando lateralmente em dezembro sem grandes chances de subir acima de US$ 20 mil ou cair para menos de US$ 15 mil.

Yaak Studio

Marina Perelló, COO do Yaak Studio, afirma que o mercado de criptomoeda segue tentando se estabilizar, enquanto ainda sente os efeitos colaterais do colapso da FTX. O inverno cripto pode ser mais frio do que o esperado e dezembro ainda terá esses reflexos.

“Para o Bitcoin não há indicativo de altas expressivas, dificilmente chegando acima de US$ 17 mil. O suporte atual, além de instável, está no mesmo patamar do último trimestre de 2020, podendo cair abaixo dos US$ 15mil. É um momento de coração forte, observação, e de eventual oportunidade para novos investidores que queiram aproveitar a baixa visualizando um horizonte de investimento de longo prazo”, destaca.

OSL

Guilherme Rebane, Head da OSL para a América Latina, afirma que o mês de dezembro deve trazer poucas novidades, na medida que caminhamos para o fim de um ano marcado por uma grande pressão na classe de ativos, tanto pelo desinteresse dos investidores devido ao cenário macroeconômico quanto pelos dois crashes ocorridos no setor em 2022.

iVi Technologies

Já Lendel Lucas, CEO da iVi Technologies, afirma que para o preço do Bitcoin em dezembro é esperado que a negatividade dos recentes eventos ja esteja precificada.

“Vemos um suporte bem forte nos 16.5-17k e, que se este suporte segurar nesta próxima semana podemos ver uma valorização ate os 18-20 mil. Valorizações acima dos 25 mil esperamos somente para o primeiro trimestre de 2023”

Web/lock

Bernardo Schucman, CTO da Web/lock, disse que espera uma leve alta no preço do Bitcoin, levando o ativo aos seus 19 mil dólares.

“A alta deve acompanhar a valorização de ativos líquidos como os mutual funds e as stocks americanas que apresentaram recuperação no mês de novembro e devem continuar se valorizando em dezembro”.

Digitra

Rodrigo Batista, fundador da Digitra aponta que a baixa volatilidade ao redor do nível de preço de US$ 17k recentemente pode ser um indicador antecedente de movimentos mais fortes no curto prazo, tanto para cima quanto para baixa; como já aconteceu diversas vezes no mercado cripto.

Segundo ele, os movimentos de alta tem sido contidos pelos vendedores em meio às incertezas do próximo ano. Na esteira dessa aversão ao risco, proliferam novamente as narrativas de que o “Bitcoin está morto”, como o artigo recente do economista Paul Krugman, que não apenas acredita no fim da maior criptomoeda como da própria tecnologia blockchain.

Batista aponta que Krugman não é o primeiro e, certamente, não será o último a decretar o fim do Bitcoin antes do fim desse bear market. Contudo, o ganhador do prêmio Nobel é mais reconhecido pelas suas opiniões polêmicas do que pela sua acurácia em prever o futuro.

“Falando em bear market, o estrategista de commodities da Bloomberg, Mike McGlone, acredita que o mercado de baixa esteja próximo do fim, com quedas generalizadas de 80% dos picos históricos, mas lembra que a recuperação não deve ser em “V”, e que teremos muita volatilidade até entrarmos num novo bull market. O banco americano Goldman Sachs parece compartilhar dessa visão, buscando barganhas no final do bear market para comprar empresas cripto”.

Ele também aponta que outro sinal de que estamos próximos de uma inflexão do mercado é o relatório da empresa de análises on-chain, Glassnode, indicando que a aguda desalavancagem que ocorreu em 2022 tirou do mercado, especificamente do Bitcoin, todo o capital novo que entrou desde maio de 2021.

“Esse dado é muito importante, em nossa visão, pois aponta que a pressão vendedora pode estar se esgotando e que o próximo bull market será alimentado por capital novo. No entanto, a magnitude do bear market pode tornar a entrada desse capital lenta no próximo ano.”

Transfero

Pedro Mace, Head de DeFi da Transfero, afirma que o mercado de cripto moedas acaba de passar por a maior retirada de liquidez em sua história. Casos históricos de falência rodeiam o investidor, deixando-o com medo. Essa parte do ciclo de crescimento de um mercado é de extrema importância para sua saúde no longo prazo, players em posições arriscadas foram liquidados e todos estão preparados para o pior.

Todos estão preparados para o pior. Empresas em posições de risco mediano fecharam as mesmas, vendem para obter a segurança que vem com o mercado tradicional. Quem precisava de dólar já liquidou Bitcoins, exceto para uma surpresa imensurável como foi a falência da FTX, acho que está n hora de voltar a dólar cost average BTC.

Nousi Finance

André Nousi, da Nousi Finance, afirma que o Bitcoin mais uma vez segue o ambiente macro. O FED sinalizou que irão reduzir o tamanho de aumentos de juros de 3 para 2 aumentos já em dezembro, mas disse também que ainda estão longe de terminar o ciclo.

O Mercado só escutou a primeira parte do discurso (menos aumentos) e ignorou a segunda parte (longe de terminar) e com isso vimos os ativos de riscos (ações e cryptos) subindo.

“Entretanto, na nossa visão, o mais importante ainda está nos dados reais da economia (emprego, inflação e crescimento de lucros) e todos eles ainda mostram que a economia não esfriou suficiente.

Dito isso, nós acreditamos até o fim do ano o Bitcoin tem um viés mais altista do que de queda, dado que mesmo após o colapso da FTX em novembro, o Bitcoin não corrigiu tanto como se imaginaria. E que poderemos ver uma modesta alta até o natal.

No patamar atual principal suporte se encontra em US$ 15.650, enquanto a resistência em US$ 18.600″

Monnos

Rodrigo Soeiro, CEO da Monnos, afirma que o Bitcoin perdeu seu suporte de 20.000 dólares e agora virou uma resistência. Para ele voltar a subir, deverá romper este preço e se confirmar. Mas analistas não descartam a chance do Bitcoin buscar novos fundos, a USD 12.000 e a USD 9.000.

O inverno das criptomoedas, o famoso Bear Market está longo, passou mais de 1 ano em quedas, é provável que em alguns meses, tudo estará verde e eufórico novamente. Para quem busca longo prazo, não existe melhor momento para compra do que o desespero e as massivas quedas, é a hora de montar carteira para depois colher os frutos.

Mas para dezembro, não se espera altas incríveis, talvez uma pequena recuperação do que aconteceu em novembro, isso se os respingos da falência da FTX pararem de atingir outros players do setor, o que ainda não sabemos.

Fonte: Cointelegraph

Yellow Crypto

Gualter Rocha, analista da Yellow Crypto, apresenta sua visão para o BTC:

No momento o BTC voltou a se correlacionar com as bolsas americanas, principalmente com o S&P 500 e a Nasdaq, e sugere uma possível continuação de alta no curto prazo devido ao atual contexto macroeconômico dos Estados Unidos, que, apesar de alguns dados econômicos negativos para os mercados de risco na última semana, está apresentando resiliência em meio ao aperto monetário do Federal Reserve, sugerindo a possibilidade da realização de um “pouso suave” por parte do Fed (diminuição na magnitude dos aumentos até o fim do ciclo de aperto monetário, e, consequentemente sua pausa e por fim as reduções na taxa de juros).

No entanto, este cenário depende dos dados a serem divulgados e é um cenário de médio prazo, visto que os aumentos na taxa de juros tendem a continuar até meados de 2023.

Graficamente, o BTC apresenta um possível retorno à US$ 18.000 devido a uma divergência altista entre o preço e seu RSI (Relative Strenght Index), além de um possível pullback ao triângulo descendente rompido após o colapso da FTX. No entanto, o BTC já se encontra em região de resistência, que se estende até US$ 19.000, sendo necessário um gatilho forte para um rompimento concreto de tal região.
Portanto, os cenários para o mês de dezembro dependem de fatores do próprio mercado de criptomoedas e também macroeconômicos, principalmente dos EUA.

Triângulo descendente, pullback e divergência altista. Gráfico Diário Bitcoin/TetherUS. Fonte: TradingView

Nathan Gomes, estrategista crypto na Yellow, diz no Relatório Semanal (04/12 a 10/12) que existem dois cenários.

Existem dois cenários mais prováveis para essa semana no ponto de vista fundamentalista do cripto mercado. Sendo um cenário pessimista, com a renovação da crise que levaria os preços a patamares ainda menores e outro cenário que é otimista. No cenário otimista o mercado iria continuar o processo de estabilização, com a estabilização das empresas, demonstrando que estão em uma situação mais sólida e que as medidas propostas pela Binance e outras ações foram efetivas.

Levando em conta o cenário pessimista, consequentemente com a continuação da crise de credibilidade das exchanges, a falência de mais outras empresas do setor entre outros problemas poderiam colaborar com a perpetuação da tendência de baixa. Evidenciado pelos possíveis problemas na Genesis, FTX, capitulação dos mineradores, situação legal do SBF, medidas da Coreia do Sul entre outros problemas.

Levando em conta o cenário otimista, o mercado encontraria uma estabilidade de preços em um patamar acima do atual, com diminuição do risco de falência e problemas nas empresas do setor. Pois as empresas que estavam mais expostas ao risco já entraram em crise ou mesmo pediram falência, restando agora empresas mais sólidas ou empresas com problemas que podem ser sanados.

Os gatilhos para esse cenário seria a ausência de problemas graves em outras empresas do setor nesta semana e a coesão dos agentes nas soluções que estão sendo propostas para solucionar essa crise de liquidez e credibilidade.

As informações contidas nesse artigo são de caráter exclusivamente informativo e não devem ser interpretadas como oferta ou recomendação de investimentos. Todas as opiniões e estimativas são elaboradas dentro do contexto e conjuntura no momento em que a publicação é editada. O mercado financeiro é dinâmico e as informações, conclusões e análises apresentadas podem sofrer alterações a qualquer momento e sem aviso prévio.

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