O Banco Central dos EUA, o Federal Reserve (Fed), anunciou na última quarta-feira (04), suas próximas medidas para combater a maior taxa de inflação nos Estados Unidos desde os anos 80. O Conselho de Política Monetária dos EUA elevou a taxa básica em 50 pontos base (bps) e definiu como junho, o mês que se iniciará a redução do balanço patrimonial.

Fed eleva taxa básica de juros em 50 pontos base (bps) e anuncia 1° de junho como a data de início do Quantitative Tightening (QT)

O FOMC (Federal Open Market Committee), ter decidido aumentar a taxa básica de juros em 50bps não surpreendeu o mercado, uma vez que era consenso entre os analistas um aumento dessa ordem. A grande surpresa foi a magnitude do QT (redução do balanço patrimonial), que veio muito abaixo das expectativas.

Nas minutas da reunião de março, o FOMC discutiu uma redução do balanço patrimonial do Federal Reserve (Fed), em um ritmo de US$ 95 bilhões mensais. Na última quarta-feira (05), o Conselho de Política Monetária dos EUA anunciou que, inicialmente a redução do balanço será feita em um ritmo de US$ 47,5 bilhões mensais durante três meses, após esse período, o ritmo poderá chegar aos US$ 95 bilhões mensais discutidos inicialmente (deve-se ter muita atenção a essa possibilidade).

Mais aumentos de 50 bps estão na mesa para as próximas reuniões. Por outro lado, aumentos de 75 bps parecem estar fora de questão

Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, tecendo comentários sobre a reunião do FOMC, afirmou que mais aumentos de 50 bps estão sobre a mesa e descartou quase que completamente a possibilidade de um aumento de 75 bps. Esse foi o principal fator, além do QT muito abaixo do esperado (pelo menos inicialmente), que deu fôlego para as bolsas americanas entrarem um rally na última quarta-feira.

O S&P 500 fechou em alta de quase 3%, a Nasdaq subiu 3,41% e o Down Jones subiu 2,81%. O mercado de criptoativos também se beneficiou, com o Bitcoin subindo 5,20% na sessão de ontem. Por outro lado, as yields caiam na média 2%, com os traders se mostrando desinteressados com os títulos do tesouro.
PIB trimestral negativo, COVID na China e guerra da Ucrânia pesaram na decisão de política monetária

Ainda na coletiva, Powell citou o PIB trimestral, os riscos do surto de COVID na China e a guerra da Ucrânia como fatores que pesaram na decisão de política monetária. Sobre o PIB dos EUA referente ao primeiro trimestre de 2022, os membros do FOMC, consideraram que apesar do viés baixista, os dados de consumo e investimento continuaram robustos.

Por outro lado, a piora da crise da cadeia de suprimentos provocada pelos lockdowns na China, trazem ainda mais “combustível” para a inflação. Já a guerra da Ucrânia, segue como uma incógnita, com Powell afirmando que seus efeitos sobre a economia dos EUA ainda são “extremamente incertos”.

Um dia depois da reunião, investidores ajustam suas expectativas

Com os investidores calculando os riscos e acalmando os ânimos, às 11:29, o S&P 500, a Nasdaq e o Dow Jones caiam cerca de 2%. O Bitcoin voltava a se correlacionar com as bolsas, caindo cerca de 2,10%. Horas antes da reunião do FOMC (ontem), o criptoativo operava descolado das bolsas, apresentando um viés positivo enquanto as bolsas caiam.

Os rendimentos dos títulos do tesouro de 10 anos subiam cerca de 2,80%, voltando ao patamar de 3%, mostrando o sentimento dos investidores em buscar segurança na renda fixa norte-americana, à medida em que o mercado precifica uma possível série de aumentos de 50 bps na taxa básica de juros dos EUA.

Fonte: TradingView

Perspectivas incertas; Cautela no mercado de criptoativos

Em um primeiro momento (ontem), o mercado parecia ter precificado completamente os movimentos futuros do Fed, à medida em que as expectativas se ajustam, o mercado parece reavaliar o que foi decidido, e concluir que o viés do Federal Reserve não foi tão ‘dovish’ quanto parecia.

O contexto atual dos Estados Unidos é de uma inflação no seu maior patamar desde os anos 80, junto a um mercado de trabalho extremamente apertado, e um aperto monetário em curso. Em meio a isso, é necessário cautela e uma boa gestão de risco no mercado de criptoativos, à medida em que o mesmo é altamente correlacionado com as bolsas, e em um contexto de inflação alta e expectativa de aumentos de juros, os investidores tendem a preferir ativos indexados a moeda norte-americana, em virtude do baixo risco e a razoável rentabilidade.

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto