Durante a conferência Bitcoin Cash 2022 – St. Kitts; realizada nas ilhas caribenhas que levam o nome internacional de St. Kitts and Nevis, ou São Cristóvão e Névis em português, o primeiro ministro Terrance Drew foi um dos palestrantes e fez o anúncio de adoção do BCH como moeda de curso forçado (ou curso legal) no país.

São Cristóvão e Névis é o menor Estado Soberano do mundo, tanto em extensão quanto em número de habitantes e é reinado por Carlos III, do Reino Unido.

Durante sua palestra, Terrance Drew disse:

“Eu dou as boas vindas à oportunidade de dialogar ainda mais, com o objetivo de explorar oportunidades futuras de se envolver na mineração de bitcoin cash, e tornar o bitcoin cash moeda de curso legal aqui em St. Kitts e Nevis até março de 2023, uma vez que as salvaguardas para nosso país e nosso povo sejam garantidas”.

O termo utilizado pelo primeiro ministro foi “legal tender”, que pode ser traduzido para moeda de curso legal ou moeda de curso forçado. Ao considerar uma moeda como curso legal, o país reconhece aquela moeda como um meio legítimo de troca, sendo regulado pelas leis que regulam o uso do dinheiro e, na maioria dos países, significa que sua aceitação é obrigatória por qualquer pessoa ou negócio.

Antes de St. Kitts & Nevis, El Salvador foi o primeiro país em toda nossa história a adotar uma moeda descentralizada (Bitcoin, BTC) como curso legal em 2021 e, no primeiro semestre de 2022, a República Centro Africana foi o segundo – também escolhendo BTC.

O curso forçado (ou curso legal) é muito criticado por entusiastas de descentralização, voluntarismo e livre mercado; pois envolve uma decisão centralizada e vertical, onde uma instituição dominante obriga, sob pena de lei, que seus cidadãos aceitem uma determinada moeda em suas interações financeiras.

Muitos defendem que a verdadeira adoção deve ocorrer de forma horizontal e voluntária – e, pessoalmente, eu compartilho dessa opinião.

Ilha do Bitcoin Cash é exemplo de adoção horizontal
No entanto, a adoção em São Cristóvão e Névis ocorreu diferente dos demais países. Em El Salvador e na República Centro Africana, a “adoção” inicial partiu do governo e do banco central, sendo transmitida verticalmente para a população – enfrentando muita resistência por esse motivo.

No caso da pequena ilha do Caribe, a comunidade do Bitcoin Cash viu um movimento de adoção horizontal, com diversos negócios, comerciantes e indivíduos passando a utilizar BCH em seu dia-a-dia, com uma grande proporção em relação à sua densidade demográfica.

“São Cristóvão e Nevis tem a maior adoção de criptomoeda per capita de qualquer país do mundo.” – Disse Roger Ver, um dos primeiros grandes investidores do Bitcoin.

Então, caso os planos do primeiro ministro de São Cristóvão e Névis sejam bem sucedidos; a adoção na ilha terá ocorrido da população para o governo; ao invés do governo para a população.

Será um caso inédito de adoção de dinheiro descentralizado devido à essa característica horizontal, além de ser o primeiro caso registrado de uma moeda que não seja o Bitcoin — em seu fork com maior capitalização e menos escalável. Mas sim na versão com menor capitalização, mas maior escalabilidade e capacidade de uso para transações on-chain.

O curso forçado ainda tem sua ética questionável, pois ninguém deveria ser obrigado a aceitar nenhum tipo de moeda de forma coercitiva.

De qualquer forma, os olhos de entusiastas da descentralização estão, neste momento, voltados para St. Kitts & Nevis e para os próximos eventos que seguirão este anúncio. Podendo ser um forte caso de aumento de demanda para o BCH.

Fonte: CoinTimes