Enquanto os futuros das bolsas dos Estados Unidos ensaiavam mais um dia de queda, ainda sentindo os efeitos das falas do presidente do Federal Reserve, J. Powell, o Bitcoin operava descorrelacionado, subindo cerca de 2,5% no dia e formando um OCO invertido no gráfico de 15 minutos, um padrão historicamente de alta.

Fonte: TradingView

Ombro-Cabeça-Ombro-Invertido (OCO invertido)

O que é?

Trata-se de um padrão gráfico cuja aparência é similar à de um ombro, uma cabeça e os ombros de um humano, de forma invertida, e que justifica a nomenclatura: sua formação se dá com o primeiro fundo nada mais sendo do que uma tentativa da força compradora de impulsionar os preços. Com a força vendedora dominando-o, joga-o para cima. Com isso, grandes investidores percebem a fraqueza do movimento, e então os preços sobem em uma nova tentativa. Como consequência, os grandes investidores começam a sair durante o segundo fundo (maior que o primeiro), com os pequenos investidores comprando, crendo ser uma boa oportunidade. Como consequência, o preço forma o terceiro fundo (similar ao primeiro), o que leva grandes investidores novamente a aproveitarem e usarem os pequenos como liquidez de saída e comprarem em peso. O resultado é os preços subindo, ocasionando em uma reversão de tendência.

Como influencia o ativo?

Trata-se de um relevante padrão de reversão de tendência de baixa para uma tendência de alta, pois com a formação de fundos menores do que os anteriores, e com a confirmação de um topo maior do que o anterior (quando ele é confirmado), indica bastante força compradora no seu gráfico. No entanto, quando ele não é confirmado, e o gráfico rompe o ombro direito para baixo, fazendo um topo maior do que o anterior, a reversão não ocorre, e o preço segue em tendência de queda, costumando indicar fortes desvalorizações em seguida, trazendo, assim, a invalidação do padrão.

O que está acontecendo?

Após a “sangrenta” sessão da última quarta-feira (18), os futuros das bolsas americanas estendem o pessimismo horas antes da abertura da sessão de Nova York. Às 09:21, os futuros do S&P 500 e da Nasdaq, caiam respectivamente 0,77% e 0,68%. Enquanto isso, o Bitcoin operava em alta, formando um padrão altista no gráfico de 15 minutos, com o alvo do padrão em cerca de US$ 29.977,91.

As quedas das bolsas foram motivadas pelas falas ‘hawkish’ do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que ressaltou que o Banco Central dos EUA irá subir a taxa básica de juros até que veja que a inflação começou a cair. Um aumento das taxas de juros norte-americanas tende a retirar liquidez dos mercados de risco, uma vez que os investidores passam a enxergar melhores oportunidades em ativos indexados ao dólar, dado o baixo risco e alta rentabilidade.

Fonte: TradingView

Podemos estar diante de uma trap?

Evidentemente que sim, é sabido que o Bitcoin possui uma alta correlação com as bolsas norte-americanas, muito em virtude da presença do capital institucional no criptoativo e na percepção do mercado sobre as criptomoedas enquanto ativos de risco (assim como as ações). Portanto, com os fundamentos macroeconômicos não favoráveis ao mercado de criptomoedas, é provável que o padrão não se concretize. Vale lembrar que, uma “descorrelação” do Bitcoin das bolsas (não momentânea), só seria possível caso o criptoativo fosse adotado em massa por instituições e governos, portanto, ainda é recomendada uma posição vendida no ativo.

Tudo o mais constante, com os fundamentos macroeconômicos sendo o principal foco do mercado de criptoativos, a tendência atual é mais favorável ao ursos no curto prazo, mesmo com uma possível confirmação do padrão. Isto é, uma alta sustentada não parece estar adiante.

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto