O Brasil pode ter, em breve, duas moedas digitais, o Real Digital, a versão eletrônica da moeda nacional, o Real que vem sendo estudado e desenvolvido pelo Banco Central desde 2017 e uma nova moeda digital entre o Brasil e Argentina, proposta que vem sendo defendida pelo presidente Lula e pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández.

Durante uma visita na Argentina, neste final de semana, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil e Alberto Fernández reforçaram a proposta de criação de uma CBDC entre as nações em uma carta conjunta na qual tratam da relação comercial entre os países.

Na carta, os presidentes ressaltam que vão trabalhar na criação da moeda comum entre as nações e afirmaram que ela pode baratear os custos de importação e exportação entre os países, além de diminuir a dependência do dólar, algo que também está nos planos da China com o Yaun Digital.

“Decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum que possa ser usada tanto para fluxos financeiros quanto comerciais, reduzindo custos operacionais e nossa vulnerabilidade externa”, diz um trecho do texto.

O ministro da Economia, Fernando Haddad também falou sobre o tema durante sua visita à Argentina acompanhando a comitiva brasileira. Haddad destacou que a nova moeda digital entre as nações não será o fim do Real Digital. Caso o projeto avance, o Brasil passaria a ter duas moedas oficiais: o Real e a CBDC entre as nações.

Sobre a CBDC com a Argentina, Haddad diz que já vem tratando do tema com o ministro da Economia argentino, Sergio Massa. Porém, até o momento não há mais detalhes sobre o plano de criação da CBDC, seu funcionamento e nem qual seria seu nome.

“Estive com ele [Massa] mais de uma vez conversando e ele está querendo incrementar o comércio que está caindo muito. [A situação do comércio] está muito ruim, e o problema é exatamente a divisa, né? Isso que a gente está quebrando a cabeça para encontrar uma solução. Alguma coisa em comum, alguma coisa que permita a gente incrementar o comércio porque a Argentina é um dos países que compram manufaturados do Brasil e a nossa exportação para cá está caindo.”, disse.

Caso o projeto avance, será a primeira vez na história que o Brasil terá duas moedas oficiais nacionais.

Real Digital

Segundo o professor de Relações Internacionais da ESPM e economista, Leonardo Trevisan, o plano de criar uma moeda única é histórico e vem desde a época da criação do Euro, quando o debate ficou ainda mais sólido na América Latina e, principalmente, com os países do Mercosul.

“Na prática, a operacionalização do Euro contou com países de economias mais robustas com um PIB de mais de US$ 1,6 trilhão, situação adversa de nossa região”, diz.

O especialista indica que a discussão da criação da moeda única voltou à tona pelo custo de transação nas exportações com o dólar e pode trazer benefícios aos países.

“Tanto o Brasil quanto a Argentina não dispõem de economias dolarizadas e muitas diferenças em reservas cambiais, a Argentina tem cerca de US$ 7 bilhões e o Brasil com US$ 350 bilhões. Do ponto de vista de transação operacional, a implantação de uma moeda no Mercosul é boa e poderia trazer benefícios econômicos como o aumento das exportações, alavancagem de empregos, ampliação de mercado, possibilitando competitividade para ambas as economias”, diz Trevisan.

Já sobre o Real Digital, recentemente, Fabio Araujo, diretor do Banco Central do Brasil e responsável pelo projeto, declarou que o BC irá ‘rodar’ a CBDC em blockchain, segundo ele, a inspiração para este desenvolvimento é o Ethereum.

Araujo destacou que para atender a esta proposta com o Real Digital o Banco Central precisa ‘migrar’ o atual Sistema de Pagamentos Brasileiros (SPB) para a economia digital.

O sistema atual foi criado há 20 anos e reúne as infraestruturas e participantes do mercado financeiro, mas não é compatível com o que o Banco Central chama de “dinheiro programável”, portanto, não tem suporte para contratos inteligentes e blockchain.

Portanto, para habilitar todo o potencial do Real Digital, o Banco Central irá criar um Sistema de Pagamentos Digital, que será integrado com o SPB e será voltado exclusivamente para a CBDC nacional, oferecendo as mesmas garantias e integração que o SPB oferece para o sistema ‘tradicional’.

“Precisamos fazer o Sistema de Pagamento Digital, que será a plataforma do real digital, e que vai ter um funcionamento integrado com o que já existe”, disse Fabio Araujo ao Valor.

Fonte: Cointelegraph

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