O ‘spread’ do contrato de ‘swap’ de 1 ano das ‘yields’ de 10 e 2 anos se inverteu e está -26 pontos-base.
Isso indica que pela expectativa do mercado, a curva de juros de 10 e 2 anos deverá se inverter até o inicio do ano que vem.
A inversão da curva de juros é um forte indicador que precede recessões.

As raízes da inflação americana

A inflação norte-americana pode ser explicada por basicamente cinco fatores, o primeiro é um componente ligado a choques de oferta, a crise da cadeia de suprimentos global atrasou entregas e a produção em diversos setores da economia norte-americana, especialmente no setor de tecnologia, por depender de semicondutores importados de outros países.

O segundo problema está ligado aos preços da energia, por esta ser um bem intermediário essencial para praticamente todos os processos produtivos, um aumento do preço do petróleo por exemplo, tende a causar um aumento generalizado nos preços. O quarto fator é o componente inercial da inflação, a retroalimentação das taxas de inflação é causada principalmente pela indexação dos salários, de forma que os empregadores são pressionados a aumentar salários em resposta a um aumento da inflação, gerando um ciclo vicioso inflacionário.

E por fim, a componente das expectativas, que diz respeito a credibilidade do Federal Reserve, as expectativas são uma forma dos agentes do mercado tentarem prever os futuros movimentos na política monetária.


Até onde o Fed vai?

Segundo o ‘spread’ do ‘contrato de swap’ de 1 ano das ‘yields’ de 10 e 2 anos. A expectativa do mercado é de a que a curva de juros se inverta antes mesmo do ciclo de altas nos juros, isso implica que o discurso do Fed de combate à inflação não parece sólido perante o mercado, e que a autoridade monetária dos EUA, poderá parar seu ciclo de aperto “no meio do caminho”, temendo que a retirada brusca da liquidez da economia norte-americana possa causar uma séria recessão.

Essa tese se torna mais crível, à medida em que estamos em um contexto de guerra entra a Rússia e a Ucrânia. As sanções impostas ao petróleo e o gás GLP russo, tem o poder de causar uma severa recessão na Europa e que poderá se transformar em uma crise global. Na última semana, os formuladores de políticas do Federal Reserve deixaram claro que apesar das interações entre as economias americana e russa serem mínimas, os impactos da guerra na América, ainda são desconhecidos.

Perspectivas

O mercado se encontra em um contexto de aversão ao risco, portanto é necessário ter muita cautela e uma boa gestão de risco no curto prazo, a aversão ao risco tende a gerar volatilidade e desvalorização nos ativos de risco, uma vez que os investidores tendem a buscar segurança em ativos seguros como o dólar e o ouro.

Levando em consideração o cenário exposto, caso o mesmo se confirme, dado os impactos exógenos da guerra da Ucrânia, em um contexto de retirada de liquidez da economia, é possível que dada a perspectiva de recessão, o Fed opte por aceitar uma maior taxa de inflação em virtude de reverter a política monetária novamente para uma orientação expansionista. Em um contexto de aumento de inflação alta, ativos escassos como o bitcoin tendem a serem vistos como uma oportunidade.

Porém, caso contrário, a postura atual ‘hawkish’ do Fed, tende a causar volatilidade nos mercados, uma vez que a retirada de liquidez da economia norte-americana, por ser o mercado mais relevante do mundo, somado ao aumento das taxas de juros são enxergados como uma oportunidade para se investir na renda fixa dos EUA. Os ativos de risco nesse contexto, podem sofrer desvalorizações.