O DXY, índice do dólar norte-americano composto por uma cesta diversa de moedas fortes, está subindo antes da sessão de terça-feira (09) mas encontrou resistência na região dos 101 pontos enquanto traders estão cautelosos aguardando dados da inflação ao consumidor dos EUA. O CPI de abril poderá ser o evento chave para que as stocks e as cryptos rumem em uma direção clara. No último FOMC tivemos uma leve sinalização vinda d e Powell de que o Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos pode estar inclinado a realizar uma pausa nas elevações na taxa básica de juros do país. Vale ressaltar que o mercado já precifica com maior probabilidade uma reversão de política monetária que começaria na reunião de setembro.

Powell deixou claro que o Fed está dependente dos dados, logo, dados de inflação, emprego e atividade econômica mostrando fraqueza poderão confirmar de fato uma reversão da política do Fed ainda esse ano. Essa narrativa ganha ainda mais força quando chamamos a atenção para a situação do sistema bancário dos EUA que apresentou nas últimas 3 semanas um fluxo negativo de depósitos na casa dos US$ 300 bilhões, o que é extremamente preocupante, visto que, boa parte desse dinheiro está saíndo de bancos pequenos que, eventualmente estão sendo comprados por bancos maiores, essa parece ter sido a estratégia dos órgãos regulatórios dos EUA para lidar com a crise de liquidez que tem como uma das causas o aperto monetário.

No pior cenário de curto prazo (CPI muito além das expectativas), o DXY parece estar tentado a romper o padrão de alta ao qual se encontra (duplo fundo), cujo o alvo está projetado para a casa dos 102,293 pontos, onde esbarraria em mais uma resistência forte até eventualmente subir mais com as expectativas de juros mais altos.

Porém, o movimento de alta pode significar apenas um ensaio para um movimento de queda maior a médio prazo, dada a existência de pressões vendedoras para o dólar, pressões estas impulsionadas pelas expectativas de uma recessão, queda da inflação e, por consequência o início de um ciclo de redução dos juros. No gráfico semanal, o movimento de alta parece ser apenas um pullback, enquanto há um padrão de reversão para queda desenhado.

Enquanto isso, o ouro se encontra consolidado na casa dos US$ 2000, região esta onde deverá permanecer por um bom tempo, dado o cenário macroeconômico turvo. O driver que poderá levar o ouro a romper topos é se caso a taxa terminal de 2023 esteja no intervalo de 4,25%-4,50% (cenário base que o mercado está projetando), porém, parece pouco provável que a inflação irá cair para um nível compatível com uma taxa básica de juros assim, principalmente porque o mercado de trabalho continua aquecido e a taxa de desemprego dos EUA está no menor nível dos últimos 54 anos, atualmente em 3,4%, muito distante dos 4,5% projetados para o ano pela maioria dos membros do FOMC.

Em uma perspectiva de curto prazo, o ouro apresenta um padrão de baixa (bandeira de baixa) que, se confirmada, poderá levar o metal até os US$ 1980. O condicional para isso, assim como para que o dólar ganhe força é que a inflação amanhã surpreenda as projeções do mercado. Por outro lado, o metal deverá continuar dentro do range dos US$ 1970 – US$ 2020.

Por fim, o Bitcoin segue correlacionado com o ouro. O CPI de amanhã poderá ser o condicional para que o Bitcoin rompa ou não a barreira dos US$ 30.000 no curto prazo, por outro lado, perspectivas de juros maiores e por longos períodos de tempo podem levar o Bitcoin a revisitar o fundo da região dos US$ 26.600 (ou até mesmo níveis inferiores). Vale ainda ressaltar que o Bitcoin enfrenta problemas internos relacionados a um congestionamento na rede e a suspensão de saques do criptoativo na Binance (maior exchange do mundo em termos de volume negociado).

A inflação dos EUA referente ao mês de abril medida pelo CPI deverá ser divulgada amanhã às 09:30 (horário de Brasília). O modelo de previsão do Fed de Cleveland, o inflation nowcasting, está prevendo a manutenção da leitura anual CPI de abril na casa dos 5%, enquanto o núcleo anual deverá cair para 5,5% (em linha com as previsões do mercado). As previsões mensais apontam para um alta de 0,1% em março para 0,4% em abril no índice cheio e a manutenção na casa dos 0,4% no núcleo, ambas as previsões estão praticamente em linha com as projeções medianas do mercado. Esses deve ser o principal dado no radar dos traders nos próximos dias.

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