O membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, Frank Elderson, disse na sexta-feira que o BCE deve garantir que a alta inflação não fique enraizada nas expectativas das pessoas, informou a Reuters. Dados econômicos mais fracos até agora não sugerem que a zona do euro esteja entrando em recessão, acrescentou.

Os comentários de Elderson vêm após uma série de comentários agressivos de outros funcionários do BCE no início do dia. O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, disse que a janela para o BCE tomar medidas de política monetária está se fechando lentamente. O presidente do banco central da França, François Villeroy de Galhau, disse que é “razoável elevar as taxas para território positivo até o final do ano”.

Persistência inflacionária é contínua na Europa

Como já esperado, as perspectivas da alta da inflação já não são mais inegáveis na zona do euro, como era feito nos últimos meses de forma invasiva pela presidente Christine Lagarde. Assim, membros do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, como Frank Elderson, se preocupam com a imagem formada na visão consumidora sobre possíveis recessões econômicas e até mesmo crescentes inflacionárias enraizadas.

Tais declarações podem ser associadas com as expectativas de presidentes dos bancos centrais ao redor da europa sobre medidas mais austeras para a estabilidade nos preços, afinal, o tempo para essas decisões parece estar chegando ao fim, aumentando o risco sobre o poder de compra do consumidor e a paridade euro/dólar.

Fatores externos parecem incessantes em suas contribuições

Além disso, as consequências das escaladas bélicas ocorridas a partir da invasão russa também golpearam os mercados europeus. Visto que as respostas econômicas e os duros boicotes aos produtos russos contribuíram consideravelmente para agravamentos nos preços, principalmente nos setores energéticos e produtivos.

Nesses parâmetros, as mudanças no poder de compra e os índices de preços na zona do euro relacionados principalmente a matéria energética dominaram as preocupações para o BCE. Formulando, então, alertas para possíveis maiores consequências advindas das medidas extremas contra a Covid-19 na China, que pode impactar de forma considerável os gargalos produtivos da economia mundial.

O “Hawkish Europeu” pode ser mais um processo aditivo para os danos aos criptoativos

Após a frouxidão monetária dos últimos anos, os efeitos agora são evidenciados pela desproporcionalidade entre o poder de compra e os salários dos consumidores, sendo evidente a necessidade de alguma atitude, principalmente sobre elevações nas taxas básicas de juros. Logo, estímulos e pressões sobre os membros do BCE não deixam de existir, aumentando as probabilidades de políticas ‘hawkish’ para os próximos meses.

Ademais, conforme anteriormente mencionado, a paridade euro/dólar do mercado cambial não pode ser desconsiderada, dado que a confiança do mercado sobre o euro vem diminuindo, deixando a moeda europeia em níveis quase igualitários ao dólar americano. Logo, a incerteza cresce de forma conjunta ao medo nos investidores, resultando em formulações negativas até mesmo para o mercado mercado cripto, visto que as pressões para medidas mais austeras nas economias aumenta, começando agora pelo Federal Reserve, nos Estados Unidos, o que pode resultar em incentivos para novas buscas por liquidez de ativos no mercado de risco.

Assim, com sua similaridade aos ativos tradicionais, o Bitcoin sente o atual cenário desenvolvido para o combate inflacionário, tanto na Europa quanto nos EUA. Portanto, sua reação à incerteza e a movimentação de períodos de medo que resultam em vendas está cada vez mais evidente, ainda mais pela busca considerável dos operadores para o mercado “seguro”.

Sobre as condições impetradas aos dados econômicos de inflação e as pressões desenvolvidas aos bancos centrais para o combate dela, é possível que haja um período lateralizado para o Bitcoin antes de uma queda mais brusca do que a atualmente presenciada. Nesse caso, a compra do ativo deve ser feita de forma cautelar, observando analiticamente os períodos de maior volatilidade antes de qualquer entrada.

Gabriel Oliveira • Analista Yellow Crypto