O índice DXY, que mede a força relativa do dólar norte-americano frente a uma cesta de moedas, ganhava força na segunda-feira (02), à medida em que a reunião do FOMC (Federal Open Market Comittee) se aproxima. É esperado por analistas que na quarta-feira (04), a taxa básica de juros norte-americana seja elevada em 50 pontos base (bps), à medida em que a inflação crescente nos EUA demanda uma resposta rápida do Federal Reserve.

Além das perspectivas de juros altos, outros fatores como a guerra da Ucrânia e a política de COVID zero na China contribuem para o ganho de força do dólar americano, á medida em que o clima de incerteza no cenário geopolítico global aumenta.

Às 10:05, o DXY estava na região dos 103,470 pontos, subindo cerca de 0,30%, pouco antes da abertura da sessão de Nova York.

Fonte: TradingView

Fatores que devem movimentar o mercado durante essa semana

A reunião do FOMC, o Comitê de Política Monetária dos EUA, será realizada nos dias 3 e 4 de maio, é esperado que seja iniciada uma série de aumentos de 50bps, com alguns bancos de investimento e analistas enxergando a possibilidade de alguns aumentos de 75bps ao decorrer de 2022 e 2023. Além disso, o FOMC possivelmente irá anunciar início do programa de redução do balanço patrimonial do Banco Central dos EUA (Federal Reserve), uma medida que será utilizada em conjunto com o aumento dos juros para conter o excesso de liquidez da economia norte-americana, afim de “golpear” a inflação.

Na Ásia, depois de realizar lockdowns em Shangai, um dos maiores hubs financeiros do mundo e a cidade mais rica da China continental, o governo chinês agora luta contra um surto de coronavírus em Pequim. As consequências dos fechamentos já são sentidas pela economia chinesa, com a atividade industrial “esfriando” consideravelmente, de acordo com o último PMI, que apresentou o pior resultado dos últimos 2 anos. Além disso, uma enorme quantidade de navios está impedida de descarregar no território chinês, o que possivelmente irá agravar a crise da cadeia de suprimentos, trazendo consigo ainda mais pressões inflacionárias para o mundo, dada a escassez de produtos.

No Leste Europeu, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia continua, sem maiores perspectivas de avanços diplomáticos no sentido de um cessar fogo, as nações europeias continuam estudando impor novas sanções à Rússia, agora mirando o petróleo, uma vez que a Alemanha já não se opõe mais a tal medida. Na última semana, o Kremlin cortou o fornecimento de gás para a Bulgária e a Polônia, uma vez que ambos os países se recusaram a pagar pela commodity em rublos, assim como demanda o governo russo. O velho continente é extremamente dependente do gás russo, tendo esse um importante papel na matriz energética da Europa, caso a Rússia corte o fornecimento de gás para todos os países da zona do euro, a atual inflação recorde no bloco, poderá alcançar novas máximas e ainda ameaçar o crescimento econômico. O último PMI industrial da zona do euro apresentou o pior resultado dos últimos 15 meses.

Além disso, dados econômicos importantes referentes a economia dos EUA devem ser divulgados durante essa semana, como o Payroll, a taxa de desemprego, entre outros. Dados do Reino Unido e discursos de membros do BCE também serão relevantes para o mercado.

S&P 500 com alta volatilidade

O S&P 500, índice que compreende as 500 maiores empresas listadas na bolsa de Nova York, opera com alta volatilidade na segunda-feira (02), investidores esperam pela continuidade da ‘earning season’ (temporada em que as empresas divulgam seus resultados trimestrais) e pesam a estimativa final do PMI Industrial, cujo o resultado foi levemente abaixo das estimativas prévias, porém, os resultados ainda são robustos e indicam um setor industrial ainda em expansão. Às 11:12, o S&P 500 caia cerca de 0,21%.

Fonte: TradingView

O Bitcoin

Na sessão de segunda-feira (02), o Bitcoin lutava para se manter acima dos US$ 38.000, com relativa volatilidade (assim como as bolsas norte-americanas), depois de ter caído abaixo de tal nível de preço durante o final de semana. Às 11:12, o cirptoativo subia cerca de 0,70%.

Perspectivas

A atual semana provavelmente será marcada por incerteza e volatilidade nos mercados, à medida que o iminente aperto monetário nos EUA, pesa nas expectativas dos investidores. A retirada de liquidez da maior economia do planeta e outros fatores expostos, possivelmente irão impactar negativamente os mercados de ativos de risco (ações e criptomoedas), exigindo uma boa gestão de risco por parte do investidor e uma boa leitura do cenário macroeconômico e geopolítico.

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto