Os últimos dois índices de emprego divulgados em meados da primeira semana de outubro de 2022 mostraram que apesar de um evidente arrefecimento, a economia americana continua forte quando o assunto é empregar pessoas. O relatório JOLTS, divulgado na terça-feira (04), mostrou que a economia americana continua criando empregos a uma taxa de 10 milhões de vagas no mês de setembro, essa leitura frustrou as expectativas e foi cerca de 1 milhão de vagas abaixo da leitura do mês anterior. Já na quarta-feira (05), o Relatório Nacional de Emprego ADP, mostrou que foram adicionados a folha de pagamento não-agrícola e do setor privado, cerca de 208 mil indivíduos em setembro, uma leitura ligeiramente acima das expectativas e do número do mês anterior.

A grande questão agora é como a leitura do Payroll de setembro será apresentada ao mercado. O índice deverá ser divulgado na próxima sexta-feira (07), com o consenso amplamente esperando uma leve desaceleração em relação ao mês anterior. Porém, o mercado poderá se surpreender, assim como foi surpreendido pelo ADP e pelo JOLTS.

Relatórios de emprego são os principais drivers do mercado nesta semana

Os membros do Federal Reserve já repetiram inúmeras vezes o mantra de que o mercado de trabalho dos Estados Unidos está extremamente apertado, e isso não é nem um grande exagero. A grande preocupação dos membros do FOMC e formuladores de políticas do Fed é como essa pressão salarial está contribuindo para a disseminação da inflação. Isso por si só já é um grande argumento para elevar os juros para a tão prometida “taxa neutra” que agora deve estar em um intervalo próximo a 4,5% (de acordo com as estimativas dos próprios membros do FOMC).

O mercado reagiu positivamente após a frustração com os dados do JOLTS e negativamente com a força dos dados do ADP. A grande questão é, apesar de apresentar sinais de desaceleração, o mercado de trabalho dos Estados Unidos ainda requer atenção por parte da autoridade monetária do país, e apostar em uma redução do ritmo de elevação das taxas ou o cessar do aperto monetário ainda parece cedo. Ainda mais depois de alguns dirigentes do Fed afirmarem que esperam que a taxa de desemprego suba para além dos 4% enquanto o BC dos EUA continua a perseguir sua meta de inflação. Bullard, historicamente o membro mais ‘hawkish’ do Fed e conhecido por ser o “anunciador do caos” chegou a afirmar que um mercado de trabalho com uma taxa de desemprego de 4,5% ainda seria considerado apertado, portanto, uma leve desaceleração do ritmo de criação de empregos/contratação não parece nem de longe ser a condição sine qua non para o fim do aperto monetário, mas sim uma queda efetiva da inflação.

Um cenário de Payroll acima das expectativas

Antes de iniciar essa parte do texto, deixo claro que isso não passa de um pequeno exercício sem qualquer pretensão de ser assertivo, modelos são apenas modelos e nada mais do que isso.

A partir das leituras dos dados de emprego dessa semana, é possível conjecturar um Payroll relativamente “forte” para a sexta-feira (07), batendo a leitura anterior. Com uma amostra relativamente pequena do Payroll (compreendendo janeiro de 2021 a agosto de 2022), cheguei a um crescimento de pouco mais de 5% para o mês de setembro, isso significa um Payroll na casa dos 300 mil.