A inflação anual nos EUA caiu para 5,2% em março, de acordo com a última leitura do Núcleo do PCE divulgado pelo Bureau of Economic Analysis dos EUA na sexta-feira. Isso ficou um pouco abaixo das previsões medianas dos economistas para uma leitura de 5,3%, enquanto a leitura de fevereiro foi rebaixada de 5,4% para 5,3%. O núcleo do PCE mensal subiu a um ritmo de 0,3% em março, em linha com as expectativas e inalterado em relação à taxa de 0,3% de fevereiro, que foi revisada para baixo de 0,4%.

Na leitura anual, o PCE subiu a um ritmo de 6,6% em março, acima dos 6,3% do mês anterior, em meio a um aumento mensal de 0,9%, que ocorre após a leitura de 0,6% de fevereiro.

Fonte: FxStreet

O que é o PCE?

O Índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) mede a variação nos preços que os residentes nos Estados Unidos, ou aqueles que compram em seu nome, pagam por bens e serviços. As mudanças no PCE são responsáveis por capturar a inflação (ou deflação) em uma gama de despesas do consumidor e refletir o consumidor do consumidor, um exemplo é a diminuição do consumo de um bem que sofreu um aumento de preços por outro bem substituto (similar). O PCE é o índice de preços favorito dos formuladores de políticas do Federal Reserve (Fed), por diferenças metodológicas pontuais em relação ao Índice de Preços ao Consumidor (CPI).

O que é o núcleo do PCE?

O núcleo do PCE nada mais é que um índice de preços que remove os efeitos dos chamados “preços voláteis” (alimentos e energia), preços estes que podem “mascarar” a natureza do fenômeno inflacionário, dado que são muito suscetíveis a choques.

Na leitura da sexta-feira (29), a inflação anual dos EUA medida pelo núcleo do PCE, caiu para 5,2% em março, de 5,3% em fevereiro e levemente abaixo dos mesmos 5,3% projetado pelos economistas. Já a inflação mensal de março, ficou em linha com as expectativas, mantendo-se nos 0,3% de fevereiro.

O leve arrefecimento da inflação em março, medida pelo núcleo do PCE anual, possivelmente pode indicar que a inflação nos Estados Unidos pode estar chegando a seu pico. Os dados do último CPI (divulgados no dia 12 de abril), também levam a mesma interpretação, no dado em questão, o núcleo mensal havia recuado para 0,3% em março, quando era esperado a manutenção dos 0,5% de fevereiro.

Cenário de inflação estável em um patamar alto, em meio com a um baixo crescimento econômico ou crescimento negativo

Na última quinta-feira (28), os dados do PIB trimestral dos EUA, apontaram para um crescimento negativo, em virtude de uma gama de fatores. Somando tal evento aos dados de hoje, pode ser desenhado um cenário de inflação estável (em um patamar alto) junto a um baixo crescimento, caso os dados futuros de inflação e crescimento sugiram tal afirmação.

Em tal cenário, é possível que o Federal Reserve possa diminuir a magnitude de seu aperto monetário, de modo que os aumentos nos juros não devam ir além da taxa neutra (estima-se que seja cerca de 2,5%). Além disso, a redução do balanço patrimonial do banco pode ocorrer em uma magnitude menor do que foi dito nas minutas da última reunião do FOMC (Federal Open Market Comittee), onde foi discutido uma redução mensal de cerca de US$ 100 bilhões mensais.

Caso isso de fato ocorra, supondo também que as expectativas de inflação se mantenham em um patamar elevado, é possível que ativos deflacionários com o Bitcoin e metais preciosos como o ouro sofram valorizações no futuro, uma vez que os agentes tendem a buscar manter seu poder de compra. No caso particular do Bitcoin, mesmo em um possível cenário como esse, tudo irá depender da percepção do mercado sobre o criptoativo enquanto reserva de valor e ativo de risco.

Cenário de inflação estável em um patamar alto com crescimento econômico razoável

Apesar do último cenário ser bastante animador para o mercado de ativos de risco, em especial para ativos deflacionários. A inflação nos Estados Unidos ainda se mantém em um patamar alto, mesmo os dados sugerindo estabilidade, em paralelo, os dados de emprego seguem robustos, indicando que o principal foco do Fed deve ser a estabilidade de preços.

Além disso, a frustração do crescimento do PIB trimestral de ontem, foi acompanhada por um crescimento robusto de dados de consumo e renda, o que pode apoiar a ideia de uma recuperação da produção no segundo trimestre de 2022, à medida em que os estoques são reestabelecidos. Em tal cenário o Federal Reserve segue com seu tom ‘hawkish’, cumprindo seu roteiro de política monetária contracionista.

Neste cenário, à medida em que os movimentos na política monetária norte-americana são precificados, os ativos de risco (a exemplo das criptomoedas e ações) devem apresentar volatilidade e quedas, uma vez que os investidores passam a enxergar grandes oportunidades em ativos atrelados ao dólar, como os títulos do tesouro dos EUA.

Reação do S&P 500 e do Bitcoin

Às 11:10, depois de abrir em baixa de cerca de 1%, o S&P 500, índice que compreende as 500 maiores empresas listadas na bolsa de Nova York, caia cerca de 0,70% (segundo o gráfico diário), enquanto que o Bitcoin seguia a tendência do mercado acionário norte-americano, caindo cerca de 1,5%, sendo cotado na região dos US$ 39.000.

As yields também operavam em alta, à medida em que as perspectivas de altas na taxa básica de juros norte-americana aumentam em meio aos dados de inflação. Vale ressaltar que a próxima reunião dos membros do Federal Reserve deve acontecer nos próximos dias 3 e 4 de maio, onde deve ser definido um aumento da ordem de 50 pontos base, além do anúncio do início da redução do balanço do banco ou mais detalhes a respeito do mesmo.

Fonte: TradingView

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto