Em tempos de inverno cripto, produtos de investimento que apostam na desvalorização do Bitcoin (BTC) têm atraído os investidores institucionais, revelou o mais recente relatório semanal da gestora de fundos de criptomoedas CoinShares.

A edição 99 do Relatório Semanal de Fluxos de Fundos de Ativos Digitais mostra que fundos de short (venda a descoberto) de Bitcoin atingiram uma soma recorde com os influxos registrados na semana passada.

Embora as saídas tenham superado as entradas pela primeira vez em 7 semanas, totalizando US$ 5,1 milhões em saques, os fundos de short do Bitcoin somam US$ 172 milhões em ativos sob gestão. Esse número nunca foi tão alto.

Em junho a ProShares lançou o primeiro ETF de venda a descoberto de Bitcoin dos EUA. Em poucos dias, o ETF Short Bitcoin Strategy atraiu uma quantidade inesperada de cotistas e se tornou o segundo maior fundo de índice negociado em bolsa de Bitcoin em termos de ativos sob gestão dos EUA.

Os números sinalizam que a confiança dos investidores institucionais na maior criptomoeda do mercado está abalada após mais de 10 meses de inverno cripto. Alguns analistas defendem que a participação dos institucionais no mercado será fundamental para desencadear um novo ciclo de alta do mercado de criptomoedas, mas nem todos compartilham de tal opinião.

Pouco apetite

No geral, os produtos de investimento em criptomoedas registraram um fluxo positivo de US$ 8,3 milhões na semana passada, mostrando que os investidores institucionais, neste momento, demonstram pouco apetite por ativos digitais, de acordo com o relatório:

“O volume de negócios de produtos de investimento permanece em torno da metade da média semanal de US$ 1 bilhão anotada até agora este ano. Curiosamente, houve menos depreciação de preços ou saques na semana passada, ao contrário do que tem ocorrido diante das recentes altas históricas do dólar.”

O DXY, índice que mede a força do dólar frente a outras moedas de reserva globais, atingiu sua máxima de 40 anos na sexta-feira, 25, ao marcar 114,5 pontos.

Fundos de investimento dedicados à Ethereum (ETH) atraíram a maior parte do capital (US$ 6,9 milhões) na semana seguinte à bem sucedida atualização da rede, o The Merge, enquanto os produtos de investimento de Bitcoin captaram US$ 2,6 milhões.

Brasil

O relatório da CoinShares mostra a participação crescente do Brasil neste nicho específico do mercado de criptomoedas. Os produtos de investimento em criptomoedas baseados no país têm registrando um influxo positivo ao longo de 2022, apesar do ciclo de baixa do mercado. O balanço de entradas e saídas apresenta um saldo positivo de US$ 157,5 milhões (aproximadamente R$ 834,75 milhões na cotação de hoje). Já o total de ativos sob gestão soma US$ 261 milhões (aproximadamente R$ 1,38 bilhão).

Fonte: Cointelegraph