Falando em entrevista à CNBC, o presidente do Fed de Minneapolis, Niel Kashkari, disse na segunda-feira que continua confiante de que a inflação voltará à meta de 2,0% do Fed. As más notícias estão pesando nas cadeias de suprimentos e na inflação, continuou ele, observando que, à medida que os preços da energia permanecerem mais altos por mais tempo, os investidores verão um bom lugar para aplicar capital.

Kashkari disse que o Fed mudará sua abordagem se os dados chegarem de forma diferente das expectativas e observou que o Fed não está focado no mercado de ações, mas sim em seu duplo mandato, que inclui um mercado de trabalho forte.

Fed comprometido com seus dois mandatos

De acordo com a última fala do presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Niel Kashkari, o Banco Central dos EUA está pronto para mudar sua abordagem caso os dados cheguem de forma diferente das expectativas. Ele ressaltou que o Federal Reserve não irá focar no mercado de ações, mas sim em seu duplo mandato, pleno emprego e estabilidade do nível de preços.

Mais cedo, um outro membro do Fed, Raphael Bostic, havia ido em um sentido semelhante, ressaltando a importância em se observar as pressões inflacionárias das quais a autoridade monetária dos Estados Unidos não consegue controlar, como as cadeias de suprimento. Bostic avaliou o último aumento de juros como sendo “agressivo”, mas adicionou que o BC americano deverá continuar nesse ritmo.

O que o Fed está se propondo a fazer?

A inflação nos Estados Unidos já é a maior desde os anos 80 e vem impondo altos custos sociais à população norte-americana. O Federal Reserve subiu na última semana a taxa básica de juros norte-americana em 50 pontos base (bps), e sinalizou que mais aumentos de 50bps estão a caminho. Além disso, também foi anunciado que a redução do balanço patrimonial da autoridade monetária dos EUA, será anunciada dia primeiro de junho, em um ritmo mensal de US$ 47,5 bilhões, podendo chegar a um ritmo de US$ 95 bilhões após 3 meses.

A postura ‘hawkish’ do Fed está fundamentada em um mercado de trabalho apertado, com a taxa de desemprego muito próxima aos níveis pré-pandêmicos. Os relatórios de criação de novos empregos vêm batendo recordes mês após mês. Com uma demanda por trabalho muito superior à oferta, há temores de que isso possa gerar ainda mais pressões inflacionárias através dos salários.

Os efeitos sobre o mercado de criptomoedas

Dada a correlação do criptomercado com o mercado acionário norte-americano, os criptoativos são impactados negativamente pela remoção de liquidez da economia norte-americana, uma vez que, os investidores passam a enxergar melhores oportunidades em ativos ligados ao dólar, a exemplo dos títulos do tesouro dos EUA, em virtude do baixo risco e alta rentabilidade.

Seguindo a sequência de quedas diárias após a última reunião do FOMC, o Bitcoin, às 12:58 do dia 09/05, o criptoativo era cotado a cerca de US$ 32.200, caindo cerca de 5%.

Fonte: TradingView

Enquanto as ações ‘hawkish’ do Federal Reserve são precificadas, é necessário por parte do investidor uma extrema cautela, à medida que os criptoativos possivelmente devem sofrer quedas no curto/médio prazo.

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto