O presidente do banco central da Irlanda, Gabriel Makhlouf, juntou-se na quinta-feira a um coro de autoridades do Banco Central Europeu (BCE) pedindo que o conselho da instituição aja para combater a inflação, embora não necessariamente no mesmo ritmo do Federal Reserve.

A maioria dos outros grandes bancos centrais já aumentou os custos dos empréstimos, mas o BCE, que lutou contra uma inflação baixa demais por uma década, ainda está injetando dinheiro no sistema financeiro por meio da compra de títulos.

Crescentes incentivos para o combate inflacionário na Europa

Gabriel Makhlouf, presidente do banco central da Irlanda, pediu ao conselho do Banco Central Europeu (BCE) ações para o combate inflacionário na zona do euro, ainda que não seguissem os mesmos rumos do Federal Reserve. Entretanto, espera que com o combate inflacionário, a inflação fique em 2% no médio prazo, já que atualmente se encontra acima disso. Assim, Makhlouf espera que o conselho encerre as compras líquidas de títulos sob o programa de compra de ativos no próximo mês ou em julho.

O que essa situação significa?

Com as consequências das ações flexíveis de política monetária cercando os formuladores, maioria dos grandes bancos centrais ao redor do mundo busca a austeridade monetária, pelo aumento de taxa de juros, custos de empréstimos ou até mesmo redução do balanço, vide o exemplo do Fed, nos Estados Unidos. Contudo, a Europa e o BCE continuam estagnados em suas decisões, injetando dinheiro no sistema financeiro por meio da compra de títulos após uma intensa luta contra uma inflação baixa demais por cerca de uma década.

Portanto, a acentuada elevação dos custos ao produtor e, consequentemente, ao consumidor final pressionam constantemente os membros do BCE para decisões mais rígidas em suas políticas monetárias, mas isso ainda parece longe da centralidade de seus líderes, como Christine Lagarde, que mesmo admitindo a constante inflacionária, principalmente no setor energético, ainda é reclusa para a afirmação de um ‘hawkish’ europeu.

Como isso afeta os mercados?

Com as linhas de inflação, os países europeus estão em níveis máximos nos últimos 30 anos e a guerra entre Rússia e Ucrânia piorou esse cenário, principalmente pelas linhas produtivas e energéticas. Não por acaso, o Breakeven – a diferença entre os títulos atrelados a inflação e os pré-fixados que servem como proxy da expectativa da inflação do mercado – de 5 anos e 10 anos estão subindo forte. Seguindo a lógica dos ciclos econômicos, referente à alternância entre períodos de expansão e períodos recessivos da economia, o próximo passo seria o aumento dos juros. Todavia, o nível de alavancagem, a dependência de liquidez, além do tamanho da dívida pública têm levantado dúvidas sobre a capacidade dos bancos centrais em subir suas taxas básicas de juros, principalmente na zona do euro.

Assim, é nítida a constatação que estamos no início do final do atual ciclo de expansão, mesmo apesar de ele ter se iniciado há apenas 2 anos. Com isso, o mercado neste momento está precificado na direção da política monetária do Federal Reserve e de outros bancos centrais. Todavia, a dependência de liquidez do sistema financeiro, o nível recorde de alavancagem do mercado, o alto endividamento de famílias e governos, a guerra Rússia x Ucrânia tornam cada vez mais difícil uma austeridade pelo BCE, onde iriam aumentar seus juros e apertar seu balanço. Pelo contrário. Ao que tudo indica, a inflação vai ter o caminho livre pela frente e uma desaceleração da atividade parece inevitável no curto/médio prazo.

Possíveis cenários a serem seguidos pelo Federal Reserve podem desenrolar os níveis do mercado

Com a tendência mais ‘hawkish’ do “banco central do mundo”, a estratégia de realizar um aperto monetário mais rígido para compensar o atraso pode se compensar para ceder os níveis inflacionários, terminando o ano próximo em níveis planejados, mas em uma clara tendência de queda. Nesse cenário, os ativos de risco como ações e criptomoedas, andam de lado, com uma leve tendência de queda durante o decorrer do ano.

Gabriel Oliveira • Analista Yellow Crypto