A rede da popular criptomoeda Monero (XMR) completou uma bifurcação drástica (do inglês “hard fork”) no último fim de semana e apresentou novos recursos de privacidade e segurança.

A bifurcação — que não foi consequência de uma briga na comunidade — foi finalizada no bloco nº 2.688.888 e havia sido anunciada por desenvolvedores em abril deste ano. Anteriormente prevista para julho, foi adiada para o dia 13 de agosto.

Uma das principais mudanças apresentadas à bifurcação foi um aumento no tamanho dos “rings” — tipo de assinatura digital que pode ser realizada por qualquer membro de um grupo de usuários que tenha acesso às chaves da rede — de 11 para 16.

Para proteger a privacidade de usuários, Monero funde a assinatura digital de uma pessoa que assina uma transição à de outras 11 (agora 16) não signatários, para criar uma nova assinatura que autoriza a transação.

A atualização da rede também inclui mudanças ao seu algoritmo “Bulletproofs” para impulsionar a velocidade das transações e diminuir seu tamanho entre 5% e 7%, além de melhorias ao seu mecanismo de multiassinaturas.

Outras atualizações de desempenho incluem “view tags” (ou “tags de visualização”, em tradução livre), que visam reduzir o intervalo de sincronização de carteiras em até 40%, junto com correções de segurança e alterações de taxas.

Parabéns pela atualização bem sucedida da rede!

Agora, a Monero está mais anônima e eficiente com um tamanho de 16 [assinaturas por] ring, Bulletpoofs+ e tags de visualização!

Certifique-se que seu nó/sua carteira está atualizada para continuar usando a Monero.

A privacidade e a fungibilidade são importantes e é empolgante continuar aprimorando-as!

A notícia de uma atualização bem sucedida à rede não parece ter afetado o preço do XMR. Neste momento, a criptomoeda de privacidade registra uma queda de 0,3% no último dia e está precificada em US$ 165, de acordo com o site CoinMarketCap.

Monero e os projetos de privacidade

O fortalecimento dos recursos de privacidade pela Monero acontece em meio à crescente atenção regulatória a projetos de privacidade.

Na semana passada, o Departamento do Tesouro Americano sancionou a ferramenta de privacidade cripto Tornado Cash por lavagem de dinheiro enquanto autoridades holandesas prenderam um suposto desenvolvedor do Tornado Cash; a iniciativa gerou duras críticas pela comunidade cripto.

A própria Monero chamou a atenção de reguladores e autoridades. Em 2020, a empresa de inteligência cripto CipherTrace revelou que havia desenvolvido uma ferramenta para monitorar transações com XMR em nome do Departamento de Segurança Nacional dos EUA (ou DHS).

Apesar desse sucesso aparente, um mês depois, a Receita Federal Americana (ou IRS) ofereceu uma recompensa de até US$ 625 mil para quem conseguisse burlar o código da Monero.

Em 2021, a polícia norueguesa estava tentando rastrear a criptomoeda de privacidade para monitorar transações relacionadas a um caso de desaparecimento.

Como consequência dessa atenção regulatória, corretoras de criptomoedas, incluindo Coinbase, hesitaram em listar XMR em suas plataformas, conforme o CEO Brian Armstrong afirmou, em 2020, que, durante “conversas em bastidores”, reguladores deixaram bem claro que “realmente não acreditamos que você deva fazer isso [listar XMR]”.

Fonte: Portal do Bitcoin