A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reafirmou na quinta-feira o seu plano de ajuste de produção, afirmando que aumentará a produção de petróleo em 432 mil barris por dia (bpd) em junho.

Os países produtores de petróleo concordaram que “a continuidade dos fundamentos do mercado de petróleo e o consenso sobre as perspectivas apontavam para um mercado equilibrado”, ressaltando que a pandemia de COVID-19 e os fatores geopolíticos continuam afetando o mercado. A próxima reunião da OPEP+ será realizada em 2 de junho.

Após ameaça improdutiva, Opep se compromete em aumentar a produção

Devido às últimas frustações ocasionadas pelos resultados produtivos da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), o cartel se comprometeu a um aumento programado para julho, visando 432 mil barris por dia (bpd). Assim, há uma concordância entre os membros sobre a contínua fundamentação dos mercados petrolíferos, consentindo sobre o equilíbrio de mercado por eles esperado.

Ainda na espera da próxima reunião da Opep, programada para 02 de junho, temos presente as atuais demandas globais pelo consumo energético, principalmente pela via econômica, aumentando os incentivos de oferta, sendo justificado a maior produção da commodity. Cooperativamente a esses fatores, ainda é presente as consequências da invasão russa sobre o solo ucraniano, que levou as sanções e boicotes globais a um dos maiores exportadores de petróleo e membro da Opep+. Com isso, o futuro das instabilidades parece incerto para os caminhos adiante, visto que além das influências da guerra, também há o fator pós-covid e os caminhos monetários das economias mundiais.

Inflação e austeridade dominando as discussões de mercado

Com o agravamento de necessidades energéticas cercando as maiores economias, a busca pela commodity levou os atuais níveis de preços às alturas, ameaçando o crescimento econômico e levando a riscos danosos aos consumidores finais. Nessa linha, o aumento de preços ocasionados incentiva os formuladores de política monetária para o caminho da austeridade, ocasionando em planos de elevações de juros e até mesmo desincentivos monetários. Assim, os Estados Unidos já planejam para hoje as divulgações de sua política ‘hawkish’ para os próximos meses, com os mercados especulando elevações de 50 pontos base para conter a escalada inflacionária que cercou o país dono da moeda mundial.

Entretanto, a influência da rigidez empregada pelo Federal Reserve possui impactos até mesmo nos setores de títulos bancários, resultando em prejuízo contábil e levando a uma negatividade para os preços dos ativos dos bancos, visto que a aplicabilidade de elevações dos juros reduz os incentivos e impede novos empréstimos. Por consequência, mesmo que ocorra a estabilização dos preços para a economia americana, a redução dos empréstimos bancários eleva os juros desses ativos, desvalorizando-os ainda mais e aumentando o prejuízo contábil anteriormente citado.

Ainda assim, com o ganho de força do dólar no mercado cambial, pode ocorrer um favorecimento para um aumento de preços da principal commodity energética, o petróleo, afinal, com o dólar americano possuindo o título de moeda precificadora de ativos, a elevação de taxa básica de juros pelo Federal Reserve pode aumentar sua busca e demanda, dado que seria benéfico aos investidores que considerariam suas características de mercado “seguro”.

Mercados de risco podem buscar liquidez, levando os preços para baixo, principalmente para os criptoativos

Com os caminhos para a austeridade tomando forma para as economias globais, muito provavelmente os ativos de características contrarias seriam prejudicados, como o Bitcoin, devido as suas movimentações seguirem em similaridades aos ativos principais do mercado de risco tradicional, principalmente por sua adesão institucional e pelos seus fundamentos que vão em contrariedade ao índice de dólares em posse de investidores, o DXY. Assim, o fim da incerteza no mercado parece próximo, dado que é muito provável a busca por liquidações de ativos de risco em decorrência de posturas mais rígidas do Federal Reserve.

Por consequência, é interessante observar os passos que seguirão para as decisões sobre futuras medidas do setor energético e, principalmente, as decisões que devem ser tomadas após a reunião do comitê de políticas monetárias dos EUA, o FOMC. Assim, um alerta para possíveis “arrastos de quedas” é emitido para os que aplicam no setor de criptoativos, afinal, as movimentações neste são muito mais evidentes e voláteis.

Sobre ameaças de otimismo momentâneo, qualquer operação de compra ou venda de Bitcoin deve ser precedida de análise volátil, dado que a tendencia altista da cripto pode estar ausente em operações de venda. Logo, a maior recomendação está para a cautela sobre suposições de compra, afinal, pode são ser evidente um suporte definido de maiores quedas, mesmo com outras possibilidades sendo presentes para influenciar a ação de compra.

Gabriel Oliveira • Analista Yellow Crypto