A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) avaliou em seu relatório de maio na quinta-feira que o crescimento da demanda global por petróleo em 2022 será 0,3 milhão de barris por dia (bpd) inferior à estimativa do mês passado, chegando a 3,4 milhões de bpd. A previsão é responsável por “potenciais declínios no PIB global e o ressurgimento da variante Omicron do COVID-19 na China e seu impacto na demanda global de petróleo”. A demanda mundial por petróleo está projetada para uma média de 100,3 milhões de bpd, uma queda de 0,2 milhão de bpd em relação ao relatório de abril.

Petróleo com queda de demanda

Conforme as perspectivas dos últimos relatórios da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), a crescente demanda para a recuperação econômica foi puxada para baixo, reforçada, atualmente, por declínios no PIB global atrelados às medidas anti-covid na China. Com isso, um dos principais exportadores da commodity agora fica “fora” do mercado, aumentando a oferta do produto.

Com isso, foi possível presenciar nesta última terça-feira a retração nos preços do barril WTI, em conjunto com o aumento do interesse em aberto e do volume, expondo a continuação da tendência de baixa no curto prazo

O que essa situação significa?

Tal evento no mercado de petróleo pode estar relacionado com as negociações da China com a Arábia Saudita sobre a comercialização da commodity através da moeda chinesa, o Yuan. Assim, essas negociações, que antes estavam “congeladas”, foram retomadas pelas consequências do posicionamento da política externa do governo americano em relação ao Oriente e a adoção de uma narrativa contra o petróleo por parte das autoridades dos EUA.

Além disso, pela atual interdependência americana pelo petróleo do Oriente levou à Arábia Saudita a repensar seu acordo de exclusividade com o governo americano, deixando as negociações com o governo de Xi Jinping mais estreitas do que nunca.

Dependência monetária global pode ser muito danosa para os ativos de mercado

Com os desenrolares da situação bélica na Ucrânia, a exclusividade mundial para a moeda americana ficou severamente evidenciada, incentivando a busca por diminuições de reservas em moedas e títulos americanos e, inclusive, propiciando a substituição por outros ativos, como ouro, outras moedas fiduciárias e até mesmo o Bitcoin, que foi adicionado às reservas internacionais de alguns países. Com isso, o comércio internacional realizado em dólar se torna cada vez menor e novos meios e acordos para transações comerciais internacionais são criados, incluindo a adoção do Yuan como concorrente do dólar na compra do petróleo do Oriente Médio.

Assim, não é descartado mais uma notória crise monetária global, abrindo espaço para uma reformulação do sistema econômico em que a principal mudança será a adoção de uma cesta de moedas para uma nova reserva monetária global. Por sua vez, o Bitcoin pode se encaminhar para ser uma forte reserva de valor concorrente, chamando a atenção de autoridades monetárias que perseguirão incansavelmente o mercado cripto através de uma forte regulamentação.

Com as possíveis iminências de uma severa crise monetária, ativos alternativos e de caráter escasso como o ouro, a prata e o Bitcoin terão maior destaque, sendo recomendado a compra desses ativos para o longo prazo.

Gabriel Oliveira • Analista Yellow Crypto