Os comitês ECON e LIBE votaram em 31 de março para aprovar uma proposta de combate à lavagem de dinheiro e transferência de criptoativos que poderia ter implicações negativas para empresas e investidores relacionados a cripto na União Europeia.

Embora as votações sobre as alterações ao Regulamento de Transferências de Fundos tenham sido apertadas, a versão final foi aprovada de forma esmagadora.

As novas medidas exigirão que os provedores de serviços de criptografia, como exchanges, coletem os dados pessoais de indivíduos que negociam mais de 1.000 euros em criptomoedas usando carteiras auto-hospedadas antes que a transferência seja permitida. Carteiras auto-hospedadas são basicamente aquelas que não são mantidas por intermediários de terceiros, como Trezor, Ledger e MetaMask.

A votação de hoje ocorre após discussões acaloradas entre legisladores e membros da indústria de criptomoedas sobre se as carteiras sem custódia devem ser vinculadas ao pesadelo do conheça seu cliente (KYC) que obriga as empresas a obter informações pessoais sobre os usuários da carteira.

O próximo passo agora é que a nova legislação passe por conversas em trílogo entre representantes do Parlamento Europeu, do Conselho Europeu e da Comissão Europeia já em meados de abril. Isso apresentará uma janela de oportunidade para que a legislação controversa seja contestada e revisada.

Novas regras criptográficas europeias enfrentam um retrocesso significativo

Sem surpresa, as regras propostas atraíram a ira da comunidade de criptomoedas. Brian Armstrong, CEO da Coinbase, exchange de criptomoedas com sede em São Francisco, observou que a legislação é “anti-inovação, anti-privacidade e anti-aplicação da lei”. Ele acrescentou que a proposta trata essencialmente a criptomoeda de maneira diferente da moeda fiduciária.

“Imagine se a UE exigisse que seu banco o denunciasse às autoridades toda vez que você pagasse seu aluguel apenas porque a transação foi superior a 1.000 euros”, afirmou Armstrong.

O CTO da Tether e Bitfinex, Paolo Ardoino , disse estar chateado com a aprovação da proposta na quinta-feira, argumentando que “representa um grande retrocesso para os direitos humanos”. Ele espera que a votação final do rascunho possa considerar as possíveis violações de privacidade e riscos de segurança que podem ocorrer se for transformado em lei.

Alguns legisladores também se opõem às regulamentações propostas. Markus Ferber, porta-voz econômico do Partido Popular Europeu (EPP), concorda que as verificações de AML em criptomoedas devem ser levadas a sério, mas sugeriu que as novas regras são proporcionais a uma proibição total de carteiras auto-hospedadas.

Fonte: ZyCrypto

Altcoins reagem positivamente

Monero e Zcash, proeminentes em anonimato, reagiram com boa valorização no dia. A primeira, com 2% de alta; a segunda, com mais de 8%, em confluência com o Bitcoin estável e subindo, além de altcoins como a Ethereum voltando a crescer.

Por quê?

Tais altcoins já sofrem escrutínio regulatório há tempos. Um banimento como este tende a favorecê-las – como ocorreu – por se tornar imperativo aos entusiastas do anonimato. São questões que, paralela a técnicas ou fundamentais (relacionadas à expansão das suas redes, por exemplo), influenciam nos seus preços.

Monero

Monero se encontra em um rally de alta desde março. Embora corrigindo durante o período, a altcoin sobe com espaço para subir ainda mais: suas próximas resistências, acima de pontos importantes, como a MA200, estão a 5 e 15% de distância, respectivamente, com o seu RSI a certa distância de 70.

Gráfico Monero / US Dollar. Fonte: TradingView

ZCash

Depois de uma correção de 15%, ela também mostra força no dia, e a despeito da XMR, caminha a certa distância das médias móveis citadas acima, como também mostra um RSI com maior espaço para crescimento que a XMR. Mantendo esta valorização, superando US$ 200, deve buscar níveis de US$ 230.

Gráfico Zcash / US Dollar. Fonte: TradingView

Vinícius Cavalcante • Analista Yellow Crypto