Após o mais recente surto de COVID-19 na China, em virtude de uma cepa derivada da ômicron, grandes cidades foram fechadas, como Xangai, na tentativa de conter o contágio pela doença. As atenções do mundo agora se voltam agora para a capital chinesa, Pequim, onde o avanço do coronavírus e a política de COVID zero, podem levar a um completo fechamento de um dos maiores ‘hubs’ financeiros do mundo.

Risco para as cadeias de suprimentos globais

A principal preocupação dos investidores, analistas e formuladores de políticas é um possível agravamento da crise das cadeias de suprimentos globais, que foram fortemente impactadas pelas medidas restritivas no mundo, durante 2020 e 2021, quando a pandemia estava em seu auge até então.

A paralização/atraso de entregas irá gerar escassez, culminando em um aumento do nível de preços em uma gama de bens, sendo este um potencial mecanismo de transmissão de inflação em todo o mundo. Além do aumento no nível de preços, dada a escassez de matérias primas, muitas atividades irão parar ou desacelerar, impactando negativamente o crescimento econômico global.

Ante tal cenário, um dos principais índices do mercado financeiro chinês, o “Shanghai Stock Exchange Composite Index”, fechou em queda de mais de 5% nesta madrugada de segunda-feira (25). Na Europa, o Stoxx600, às 09:47 caia cerca de 1,40% e nos Estados Unidos, os futuros do S&P500, operam em uma leva queda de 0,15%. O petróleo Brent, referência mundial da commodity, caia cerca de 3,85%.
O yuan (moeda chinesa) também apresentou uma forte desvalorização frente o dólar norte-americano, caindo para a sua mínima de um ano, sendo cotado a cerca de US$ 0,1525.

Fonte: TradingView

Medo nos mercados

Além dos fechamentos na China e a guerra da Ucrânia, os investidores ainda processam o tom ‘hawkish’ do último pronunciamento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no qual o mesmo afirmou que um aumento de 50 pontos base na taxa de juros básica norte-americana estava posto sobre a mesa na reunião de maio. No começo do mês, Lael Brainard, vice-presidente do Banco Central dos EUA, e outros membros do FOMC, também haviam se mostrado favoráveis a tal movimento, bem como o início da redução do balanço patrimonial do FED.

Na manhã da segunda-feira (25), as yields operavam em queda sua grande maioria, em queda, porém, a moeda norte-americana, se fortalecia, com o DXY subindo cerca de 0,50% na sessão, sugerindo que os investidores estão buscando segurança no dólar, em virtude dos riscos cenário internacional.

Fonte: TradingView

O criptomercado

Depois da última turbulenta semana, o Bitcoin segue em queda na manhã do dia 25, caindo cerca de 1,60%, de acordo com o gráfico diário, sendo cotado na região dos 38 mil dólares. O criptomercado, seguindo o movimento das bolsas, foi fortemente impactado pelas falas ‘hawkish’ dos membros do Fed. A aversão ao risco, em virtude dos lockdowns chineses, as consequências da guerra entre Rússia e Ucrânia e a perspectiva de aperto monetário nos EUA, impactaram negativamente os criptoativos, dado que estes também são ativos de risco.

Fonte: TradingView

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto