O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, disse ser contra qualquer aumento precipitado nas taxas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e que espera seus primeiros ajustes para cima nos custos dos empréstimos no terceiro trimestre deste ano.

Nagel acrescentou que é cada vez mais improvável que o BCE consiga trazer a inflação de volta a sua meta de 2%.

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Cada vez mais improvável que o BCE consiga trazer a inflação de volta a sua meta de 2% (Imagem: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Fonte: Money Times

Divergência entre membros do BCE (de novo)

Horas depois da inflação ao produtor alemão avançar mais de 30% no mês de março, o presidente do Banco Central da Alemanha, Joachim Nagel, declarou ser contra a aumentos precipitados nas taxas de juros da zona do euro, e disse esperar que os aumentos se iniciem no terceiro trimestre.

Mais cedo, um outro membro do BCE, Martins Kazaks, disse ser possível um aumento nas taxas de juros da zona do euro, ainda em julho, adicionando que a abordagem gradual adotada pelo BCE, não significava uma resposta lenta.

Há uma clara divergência entre os membros do BCE, sobre qual o momento certo para iniciar o ciclo de alta nos juros, apesar da presidente da instituição, Christine Lagarde, em coletiva logo após a última reunião dos membros do Conselho de Política Monetária, deixar claro que os aumentos nas taxas de juros só viriam após o término do APP (‘Asset Purchase Programmes’), previsto para terminar em algum momento do terceiro trimestre.

A economia da zona do euro, já registra os maiores índices de inflação desde que o mesmo começou a ser calculado no fim dos anos 90. A grande relutância do BCE em tomar uma decisão mais agressiva ante a inflação, também passa pelo raciocínio de que, uma retirada brusca de liquidez da economia, impactaria negativamente o crescimento da zona do euro, dado os crescentes riscos sistêmicos que cercam o bloco.

O principal motor de inflação na Europa

Atualmente, o principal componente impulsionador da inflação na Europa, são os custos de energia. Em virtude da guerra entre Rússia e Ucrânia e as sanções impostas pela União Europeia a diversos produtos russos, a situação tem se tornado cada vez mais crítica. Com os preços de alimentos e energia, saltando ainda mais desde que a invasão começou.

Durante a sessão da segunda-feira (18), em virtude de rumores disseminados no final de semana a respeito um novo pacote de sanções da União Europeia, os futuros do gás natural, alcançaram um alto nível de sobrecompra, chegando a subir cerca de 10% durante meados do dia. Já na terça-feira, houve uma grande correção, quase que na mesma magnitude, à medida em que os boatos se arrefeciam.

A União Europeia, já sancionou alguns itens, dos quais a mesma importava da Rússia, porém o setor energético é um grande problema, uma vez que o gás russo tem grande representatividade em sua matriz energética. Países como a Alemanha, onde a situação é mais crítica em termos de dependência, já sentem os efeitos, com o os preços ao produtor, saltando mais de 30% no mês de março, custos estes que serão passados os consumidores, e que provavelmente serão traduzidos em novos recordes no CPI da zona do euro, em breve.

Além de todos esses fatores, caso a inflação deixe de depender apenas de fatores “importados”, como a crise da cadeia de suprimentos, crise energética e o boom de commodities, há uma grande probabilidade, dada a conjuntura, de a Europa entrar em uma trajetória inflacionária ainda mais alta, enquanto a política monetária ainda está relaxada, isto é, antes do terceiro trimestre.

Fonte: TradingView

Apesar das commodities não terem um impacto no mercado de ‘crypto’ tão significante (de maneira direta), é possível que a alta das mesmas sustente as bolsas em alta ou lateralizadas, durante um eventual superciclo, portanto, dada a correlação positiva entre o mercado acionário e os criptoativos, as mesmas devem apresentar o mesmo comportamento.

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto