Calcada na descentralização, a tecnologia blockchain abriu espaço para que as criptomoedas conquistassem uma legião de brasileiros nos últimos anos, tanto que, em pleno inverno cripto, cerca de R$ 3 bilhões em Bitcoins (BTC) foram movimentados no país durante o mês de setembro. Apesar de alguns percalços relativos à regulamentação das criptomoedas, como a derrota eleitoral do deputado relator do projeto no último dia 2 de outubro, outras iniciativas parecem caminhar a passos largos no Brasil, entre elas o Real Digital, a CBDC brasileira (moeda digital emitida pelo banco central, na sigla em inglês).

Por outro lado, a eventual inserção de mecanismos de controle no algoritmo da CBDC brasileira é objeto de críticas na sociedade civil, como a do economista Fernando Ulrich, que disse em um vídeo publicado recentemente que, “dependendo de quem esteja no poder, [o Real Digital] poderá ser usado como um dispositivo totalitário.”

O assunto foi objeto de questionamentos dirigidos ao Chefe do Escritório de Segurança Cibernética e Inovação Tecnológica do Banco Central, Aristides Cavalcante Neto, ao diretor da Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) Rodrigoh Henriques e ao superintendente de inovação da empresa de tecnologia de pagamentos Elo, Duda Davidovic, por membros da plateia que assistia a um painel sobre o Real Digital durante o Fintouch 2022, evento realizado pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) no final de setembro, em São Paulo.

“A questão não é o que o governo quer fazer com ela, mas o que a gente quer fazer com ela. Brasileiro não é chinês, não aceita um nível de interferência monetária como a da China”, argumentou Henriques.

Ao defender que o debate principal sobre o Real Digital não é sobre a CBDC estar situada nas finanças centralizadas (CeFi) ou descentralizadas (DeFi), Davidovic preferiu focalizar seu discurso em novos casos de uso da cripto estatal ao dizer que:

“A CBDC não é sobre ‘vou pagar com real tradicional ou real digital. mas sobre novas formas de uso do real.”

Na mesma linha, Aristides usou um caso hipotético para revelar uma possível funcionalidade do Real Digital, que não existe no Pix. No caso um mecanismo de segurança na CBDC para transações financeiras vinculadas a transferências de propriedade, como a compra de carros usados, por exemplo.

“A infraestrutura predetermina um contrato para que a pessoa não tenha de pagar o carro antes de receber. Assim que a pessoa transferir a titularidade do carro, o pagamento pré-programado é efetivado”, explicou Aristides.

Duda também citou a possibilidade de utilização da blockchain do Real Digital para evitar fraudes em programas sociais do governo.

“É um sistema em que o governo pode controlar para onde vai aquela moeda e como ela é gasta, evitando muitos casos de fraude”, justificou.

No início de setembro, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, revelou que os testes do Real Digital com DeFi já começaram e que a CBDC deve ser lançada em 2023, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

Fonte: Cointelegraph

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