Os rendimentos dos títulos alemães de 10 anos atingiram 1% na manhã de segunda-feira (03) por volta das 04:30 do horário de Brasília. É a primeira vez que isso acontece desde 2015. Em abril, a inflação do país ficou na casa dos 7,5%, o maior nível em 40 anos, enquanto a taxa de desemprego divulgada mais cedo, permaneceu estável nos 5%.

Fonte: TradingView

Inflação e desemprego estável

Enquanto a inflação atinge recordes tanto na Alemanha quanto na zona do euro como um todo, o desemprego segue em queda na zona do euro e em estabilidade na Alemanha. Tudo o mais constante, este seria o cenário (quase) ideal para a normalização da política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Porém, a zona do euro está mais exposta a riscos geopolíticos que outros países que já iniciaram seu ciclo de normalização da política monetária, como é o exemplo dos Estados Unidos e do Reino Unido.

BCE só deve iniciar um ciclo de aumento dos juros no terceiro trimestre, mas há divergências

O roteiro de política monetária do BCE difere completamente do roteiro do Federal Reserve (Banco Central dos EUA). O BCE parece planejar finalizar seu programa de estímulos (APP) no terceiro trimestre, para só então, iniciar um ciclo de aumento dos juros. O consenso é o de que haja o primeiro aumento dos juros em setembro e um segundo aumento em dezembro, ambos da ordem dos 25 pontos base (bps). Em tal cenário, o BCE finalizaria 2022 com sua taxa de depósitos zerada, finalizando a era das taxas de juros negativas na Europa.

No entanto, alguns agentes do mercado e uma minoria de membros do BCE, estão considerando a possibilidade do Conselho de Política Monetária do banco decidir finalizar o APP julho, com o início do ciclo de aumento de juros. Porém, o BCE deve seguir uma abordagem gradual independe ao contrário do Fed, como já foi dito pela presidente do banco, Christine Lagarde, em diversas oportunidades.

Fed no radar e perspectivas para o mercado de criptomoedas

Em virtude das diferenças de abordagem ante o fenômeno inflacionário, além do fato de o Federal Reserve ser o Banco Central da maior economia do mundo, é necessário dar uma maior atenção aos movimentos dessa instituição quando negociar criptomoedas. Uma vez que as decisões de política monetária dos EUA, ditam como as bolsas irão se comportar. Deve-se ter em mente também, que há uma alta correlação entre as bolsas norte-americanas e o mercado de criptomoedas, dada a presença do capital institucional nas mesmas.

No dia 04 de maio, o FOMC (Federal Open Market Committee) deve anunciar um aumento de 50 bps em sua taxa básica de juros, além de maiores detalhes (ou o início) da redução do balanço patrimonial do banco (foi discutido uma redução mensal de US$ 95 bilhões, de acordo com a ata da última reunião do Conselho de Política Monetária).

Uma redução de liquidez dessa magnitude, tende a impactar negativamente o mercado de criptomoedas e demais ativos de risco, uma vez que os investidores passam a enxergar maiores oportunidades em ativos ligados ao dólar, como, por exemplo os títulos do tesouro dos EUA, dada a alta rentabilidade e o baixo risco. Os rendimentos dos títulos de 10 anos já visitaram os 3% na sessão do último dia 02 e durante a sessão de hoje (03 de maio), às 05:00 do horário de Brasília.

Kleiton Luna • Analista Yellow Crypto