“A Rússia será forçada a tomar medidas de retaliação de natureza militar-técnica e de outra natureza para eliminar as ameaças devido à entrada da Finlândia e da Suécia na OTAN” – Ministério de Relações Exteriores da Rússia. Tal intervenção pode ser de ordem econômica, já que a Rússia está extremamente ocupada na Ucrânia, já que o jornal finlandês Iltalehti escreve que a Rússia poderia interromper o fornecimento de gás à Finlândia já nesta semana, colocando o país baixo extrema pressão energética, e não seria vantajosa uma entrada na aliança militar encabeçada pelos Estados Unidos. De acordo com a publicação, os principais políticos finlandeses “foram avisados sobre a resposta da Rússia ao desejo da Finlândia de ingressar na OTAN”.

Qual seria o impacto?

Sendo assim, podemos afirmar pragmáticamente que tal ação poderia colocar ainda mais peso sobre os já cansados ombros da indústria européia ocidental, já que um corte de tal magnitude acarretaria em mais um punhado de milhões de habitantes da Finlândia e Suécia sofrendo com preços ainda maiores de petróleo, gás e seus derivados, tão importantes para a continuidade da elevada qualidade de vida que desfruta a Europa ocidental, elevando naturalmente os preços de tais produtos e subprodutos de forma a aumentar os custos já elevados de transporte e aquecimento ou produção de energia. Porém, a maior parte do gás utilizado na Finlândia vem da Rússia, mas o gás representa apenas cerca de 5% do consumo anual de energia do país.

Como isto afeta o mercado e principalmente o Bitcoin?

A forma de energia mais usada nas mineradoras européias é a hidroelétrica, porém existe uma minoria de mineradoras que usam o gás natural barato e abundante, logo pode-se esperar uma queda pequena, mas essencial que pode afetar o Bitcoin, em contraponto, a própria tensão geopolítica e consequente aumento da inflação iria afetar muito mais do que uma simples elevação dos preços de gás e petróleo no Báltico. De qualquer modo, especificaremos quatro cenários de acordo com a probabilidade de sua ocorrência, e de acordo com o seu respectivo impacto no mercado mundial de ativos e de Bitcoin, que reflete com grande correlação o mercado tradicional de investimentos.

Não devemos descartar também a possibilidade da Rússia estar a ponto de usar uma ferramenta geopolítica de contrapesos, como demonstrado nos ataques contra regiões estratégicas da Moldávia, país que tem fronteira com a Transnístria e Romênia, ou também na escalada de tensões entre a Bósnia e a Sérvia, de modo a aumentar a instabilidade da região e colocar outros países da Europa Central e Balcãs em alerta, desgastando a já reduzida ajuda européia a estas áreas de conflito étnico.

Uma volta do Pan-Eslavismo?

O Pan-Eslavismo é um movimento político e cultural, nascido de uma ideologia nacionalista , surgido no século XIX com o objetivo de promover a união cultural, religiosa e política, bem como a cooperação mútua, entre todos os países eslavos da Europa. Na época de seu auge, o defunto Império Austro-Húngaro combateu o Pan-Eslavismo dentro de seus domínios, considerando-o uma ameaça aos seus interesses estratégicos e políticos promovidos pelo Império Russo, seu inimigo histórico, o mesmo mostrou interesse em promover o pan-eslavismo para seu próprio expansionismo e para um projeto de larga escala de Russificação da Europa Oriental.

Países de idioma eslávico

Rússia reagirá à expansão da infraestrutura militar na Finlândia, Suécia

O presidente russo, Vladimir Putin, disse na segunda-feira que a expansão da OTAN é um problema e é do interesse dos EUA, informou a Reuters. A Rússia não tem problemas com a Finlândia e a Suécia, continuou ele, mas a Rússia reagirá à expansão da infraestrutura militar nesses países. Putin acrescentou que a Rússia precisa prestar mais atenção aos planos da OTAN para aumentar sua influência global.

Interesses americanos e russos

Que a entrada da Suécia e da Finlândia sejam do interesse dos EUA, como diz Putin, é uma questão óbvia, pois a repartição das obrigações financeiras da aliança, à medida que é obrigatória a reserva de ao menos 2% do PIB do país membro, é algo benéfico para os EUA, que tem lidado com grande parte dos encargos da aliança. A grande questão que preocupa a Rússia é justamente o uso do território desses países para manobras militares conjuntas do ocidente, com a Suécia (que é um país com indústria militar própria) localizando-se estrategicamente bem no mar báltico, sendo mais um entrave para a Rússia nessas águas, e a Finlândia próxima ao complexo militar de Murmansk e Arkhangelsk, o que pode ocasionar a necessidade de maior empenho militar e financeiro da Rússia para se opor a isso.

Entraves para a entrada dos países na OTAN

Não obstante, a admissão dos dois países nórdicos na OTAN ainda deve passar por inúmeras fases, incluindo uma votação direta envolvendo cada país da aliança, que tem o potencial de minar tal admissão. Neste âmbito, os olhos estão voltados para a Turquia, que pode exercer seu voto negativo em virtude da recusa desses países em relação a extradição de membros de guerrilhas curdas e opositores políticos.
O que esperar da Rússia?

Por mais que as ações da Rússia sejam um tanto impremeditadas, cabe uma análise nos pesos e contrapesos de cada conduta que o país pode seguir. Uma invasão militar na Finlândia para manter o país em guerra e impossibilitar a adesão à OTAN, por mais que seja desvantajoso para a Rússia e vá ocasionar mais gastos estrondosos e mais dependência da China, é possível, mas a chance é remota. A conduta mais provável é um corte completo no gás, o que não deve causar grandes distúrbios na economia do país nórdico.

Mathias Espinola • Analista Yellow Crypto